Advogada, advogado, advogados.

Esses são, sem dúvida, predicados dos mais honrosos e sagrados de nossa
sociedade.


Advogar é falar. Falar pelos outros. Falar por aqueles que precisam que sua
voz seja ouvida. Por aqueles que precisam traduzir seus anseios, suas
ambições, seus desejos, mas também seus medos, suas angústias e aflições
para a complexa linguagem jurídica.

 

Quem advoga tem a responsabilidade de falar pelo outro e, nesse mister, tem o direito e a prerrogativa de ser ouvido.

Nossos estatutos nos garantem a possibilidade de examinar, de peticionar, de
reclamar, de falar, de se entrevistar, de pedir a palavra pela ordem, de assistir e
de resistir ao arbítrio e de não ser violado. Enfim, nos dão a liberdade de nos
manifestarmos e nos ungem do direito de sermos escutados.


O uso das prerrogativas, ao mesmo tempo que nos assegura proteção, se impõe como um dever de todo advogada e advogado, que há de ser manejado com conhecimento, com dignidade e, sobretudo, com coragem.

E se lutamos de forma ávida para que nossas vozes ecoem quando
representamos os interesses de nossos clientes, por que de outra forma deveria
ser quando defendemos os interesses da própria classe dos advogados?


Por que as vozes de todos os advogados e advogadas, de todos os lugares, de todos os tons, timbres e sonoridades não devem ser também ouvidas por aqueles que carregam o pesado ônus de representar nossos interesses perante a sociedade e as instituições?

Compreendemos que a representação da advocacia não pode se circunscrever
a poucas pessoas.


Compreendemos que os interesses de toda a advocacia não podem ser direcionados por poucas pessoas.


Compreendemos que todas as advogadas e advogados devem poder participar – e devem ser estimulados a participar – dos processos decisórios da classe,
para que nossa Ordem volte, de fato, a ser protagonista no cenário institucional
brasileiro.


Compreendemos que todas as vozes da advocacia devem ser ouvidas, por todos os meios e por todas as formas. Independentemente de quem seja, de onde venha e de onde esteja.


Começando pelo direito ao voto, que deve ser possibilitado e fomentado pelas
maneiras mais modernas e democráticas.


Não há lugar mais propício para a fundação desse movimento, para a equalização de todas essas vozes, do que o solo paulista, nosso querido Estado de São Paulo, nossa casa.


Por defendermos a advocacia e sua indispensabilidade. Por defendermos a Constituição da República e o Estado Democrático e de Direito. Por defendermos que a Ordem dos Advogados do Brasil é uma das instituições fundantes da República Federativa do Brasil.


Por defendermos que devemos ser ouvidos, lançamos esse manifesto e esse movimento.


Hoje com as nossas, para que possam ser ouvidas

TODAS AS VOZES.

Todas as Vozes

Manifesto